segunda-feira, 28 de setembro de 2015

PARA QUEM NASCEU DA DÉCADA DE 90 PRA CÁ - COMEÇO DE SÉCULO, O "PROLETÁRIO" CHEGA AO PODER.

Não posso deixar de, pelo menos, discutir o proletariado do eleito em 2002, Luis Inácio - o Lula. Não se pode negar sua origem oprimida como retirante nordestino, sua ligação proletária e esquerdista, como metalúrgico e dirigente sindical, mas é como político que Lula nos dá margem para esse questionamento. O PT, partido que ajudou fundar nos anos 80, surge numa inflamação do poder dos sindicatos e muito confundido em suas metas de conquistas de direitos trabalhistas e combate as elites econômicas com a luta contra a falta de liberdade exercida pela ditadura, o que não é inverdade por absoluto, mas que não mostra os interesses do partido em sua totalidade durante seu nascimento. De qualquer forma a abertura foi um fomentador muito grande para seu sucesso. Essa esquerda radical de um projeto de um Lula embravecido com barba de Fidel Castro encantava milhões no slogan "Lula, lá! Brilha uma estrela!", mas notoriamente desagradava a elite econômica, não só brasileira, mas mundial. Esse projeto foi vencido pela elite por três eleições - uma para Fernando Collor e duas para Fernando Henrique Cardoso (acho que Lula não deva se meter mais com os "Fernandos" rsrs). E é aí que a imagem de Lula começa a mudar. Surge o "Lulinha, Paz e Amor", amigo de Roberto Marinho e em pleno entendimento com os empresários brasileiros. Aliás seu vice, nas duas vitoriosas campanhas, José Alencar, um deles. O PT sai do radicalismo de esquerda, para o centralismo de direita. Aí meus alunos de História já entendem que não existe uma relação em que os interesses de proletários e burgueses possam ser entendidos senão pelo conflito. E é nesse contexto que se desenrolará o governo do oriundo proletário esquerdista - atender os apelos da classe trabalhadora ou saciar a sede da elite que o elegeu?

PARA QUEM NASCEU DA DÉCADA DE 90 PRA CÁ - A BUSCA PELA ESTABILIDADE

Impedido o então presidente Fernando Collor, assume o seu vice Itamar Franco que entregou a difícil missão de conquista da estabilidade econômica ao sociólogo Fernando Henrique Cardoso. A criação de uma nova moeda pela transição de uma URV (unidade real de valor) perecia mais psicológica diante de todas as outras medidas que visavam o controle da inflação, fortalecimento da moeda e da economia além de estabilidade também nas contas do governo. As políticas de privatização, imperativo das elites mundiais, desde o Consenso de Washington (1989), ajudaram o governo a equilibrar suas contas, pois ao mesmo tempo que colocava dinheiro no caixa criando reservas pelas vendas das estatais, deixava de ter custos com estas empresas e, através da precarização de serviços, como saúde, educação e comunicações, acabava "dando" a concessão desses serviços à iniciativa privada, numa explícita política de diminuição do Estado. De modo geral podemos dizer que o governo teve êxito em seu projeto. Paulatinamente, a inflação foi sendo controlada e as reserva de dólares permitiam a estabilidade da moeda que gerava confiança econômica e mais estabilidade. Isso também camuflava problemas crônicos do Estado brasileiro, com a dívida pública, a corrupção e a má administração da máquina estatal. O frango é transformado em símbolo desta época, já durante os mandatos de FHC, pois o brasileiro havia voltado a comer carne (de frango é claro!) Mesmo assim para a sensibilidade empírica do cidadão brasileiro, as coisas estavam melhor.

PARA QUEM NASCEU DA DÉCADA DE 90 PRA CÁ - A CRISE DO FINAL DOS ANOS 80

No final da década de 80 do século passado (é claro rsrs) tivemos uma grave crise econômica com uma inflação próxima aos 100%. O que isso significa? Que depois de 15 dias de ter recebido o salário ele so podeia comprar a metade dos produtos. Isso levava a uma correria ao supermercado, pois em geral, o salário do trabalhador comum só dava para comer mesmo, diante do baixo poder de compra. Conseqüentemente, essa correria era um dos fatores que gerava mais inflação. O governo, por sua parte não conseguia cumprir suas obrigações fossem de dívidas (interna e externa) fosse de serviços, o que prejudicava ainda mais a economia. A abertura política consolidada na eleição indireta de um presidente civil e posteriormente, na eleição direta parecia contrastar com o momento difícil em que vivíamos. Tabelamento de preços, seguidos de desabastecimento. Pacotes econômicos intermitentes não conseguiam travar a dinâmica especulativa da ciranda econômica. Logo o regime democrático começa a mostrar suas deficiências e no primeiro mandato da eleição direta temos o presidente impedido. Alienado, o cidadão comum, pouco entendia a situação, mas a sentia em uma das partes mais sensíveis do corpo humano - o bolso.

PARA QUEM NASCEU DA DÉCADA DE 90 PRA CÁ

PARA QUEM NASCEU DA DÉCADA DE 90 PRA CÁ
Provavelmente, você não saiba o que é crise, inflação, recessão. Deve ter sido criado, em um momento em que o avanço tecnológico e a acessibilidade à tecnologia evoluíram e foram adicionados novos valores de formação e família, de forma a sempre conseguir o que queriam. Mas já estão notando as coisas mudarem... Por isso farei algumas postagens relatando o processo histórica que nos trouxe para o século XXI em situação bem diferente das que você conhece. Acompanhem!